quinta-feira, dezembro 29, 2005

sincretismo amoroso

Andam reclamando que a internet nesses dias insípidos está muito parada. Então acho que o que tenho a dizer é mais que oportuno.
Eram duas belas mulheres que me ensinaram muitas coisas. Dentre elas, uma dizia: temos que evoluir sempre, um pouquinho a cada dia. Para a outra a pimenta não apetecia, porque se sobrepunha ao gosto dos alimentos em que era colocada. Então, acho que hoje evoluí um pouquinho. Comi o tradicional pastél de palmito das quintas-feiras, sem pimenta.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Eu tô qui tô

Hoje eu resolvi cruzar Freud com Heisenberg, Tolstoi com Fitzgerald e ver no que dá.
Freud me deu uma explicação do comportamento humano. Em Freud não há certezas de espécie nenhuma. Há um irracionalismo irredutível, incivilizável, no ser humano, onde a agressão é parte irrefutável da nossa composição psíquica. Ego, Id e Superego, ele mesmo admitiu, se confundem em nossos pensamentos e ações. Sua psicanálise é o equivalente do Princípio da Incerteza de Heisenberg, no mundo das ciências naturais, que prova a imprecisão da estrutura e organização física do universo. Se contrapondo a isso, Einstein acreditava no princípio da unificação, com a famosa frase de que Deus não nos criou numa rodada de dados.
Freud é parte do anedotário da vida moderna. As terapias modernas nada tem a ver com sua visão trágica da vida. São terapias-placebo para a classe média consumista.

Deixando Freud e Heisenberg de lado, vamos para a literatura encontrar dois grandes personagens. Ana Karenina é toda sensualidade indomável e poderá ficar cansada, mas nunca saciada. Se contrapondo a Ana aristocrática, casada com Karenin, sem orgasmos, mas compensada pelo filho que produz, a estima que goza na sociedade, aliando bondade e beleza, essa Ana exemplar se desfaz na cama com Vronsky, e nada mais lhe importaria, se Vronsky não considerasse acima de tudo sua vida fora da cama, de que Ana não participa. Tolstoi faz com que se suicide. Paralelo com Dick Diver de “Suave é a noite” de Scott Fitzgerald: Edmund Wilson (“Rumo a Estação Finlândia”) queria que ele não terminasse o livro como clínico geral suburbano, mas que se depredasse em álcool e esbórnia, depois de tudo que vivênciou. Acho mais provável Ana se prostituindo, cortesã nifomaníaca, do que o fim desejado por Wilson, visto que Diver é de natureza mais amena. Se resignaria a decair como Fitzgerald imaginou. Tolstoi fez Ana se suicidar porque, apaixonado pela personagem, e tendo de cumprir a epigrafe do livro, bíblica (“A vingança é minha”), não toleraria que caísse na promiscuidade, caso em que não poderia dizer “Ana c’est moi”.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Votos

Estou aqui em casa dando um tempo porque lembrei que hoje haverá um "café da manhã natalino" no departamento, e eu, mais alguns da mesma espécie, não quis participar. Aliás, se a evolução da humanidade dependesse do meu grau de sociabilidade, estaríamos, não diria na época das cavernas, mas não muito além de uma obscura Idade Média.
No entanto admiro as pessoas que propõem e organizam esses eventos. A confecção da lista de participantes, a coleta do dinheiro, as cotações de preços, os cálculos das quantidades de cada item, buscar, arrumar, dar destino às sobras, etc. Percebe-se, em geral, que elas ficam felizes com isso.
A elas, e a nosotros tambiem, feliz natal!!!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Decálogo dos deveres para com uma nova paixão

Uma lista de coisas que devem ser colocadas na porta do seu guarda roupa, e lidas todo dia pra ver se aprendemos e colocamos em prática, nas próximas oportunidades que a vida nos oferecer.

1 – Aprender a dançar
Parece que todos os caras que gostam de dançar estão se dando super bem. Acho que quando aprender a dançar, vou finalmente encontrar uma pessoa que goste de livros e música clássica. Não precisa ser o primeiro item da lista.

2 – Ter ciúmes
Mesmo que ela não te dê motivos e você seja uma pessoa bem
resolvida nesse quesito, sempre que ela te perguntar se você tem
ciúmes dela, diga que sim, e saque da sua memória aquele colega de
trabalho que ela sempre disse que era um cara legal, que, com ele, ela
se sentia a vontade, e diga que morre de ciúmes dele.

3 – Atitude romântica pelo menos uma vez por semana.
Uma flor, um e-mail, um “sonho de valsa”, um “eu te amo”, qualquer
coisa pra que ela nunca esqueça o porque vocês estão juntos.

4 – Atitude gastronômica pelo menos uma vez por mês.
Mesmo que não seja a sua praia, se ela gosta, descole uma receita e
ponha as mãos na massa (literalmente?) e faça um jantar, à luz de
velas, vinho, etc, etc... Não irá se arrepender, afinal, a comida é o que
menos interessa.

5 – Ouvidos sempre atentos e disponíveis.
Essa é difícil, mas, não esmoreça. Apenas ouvir, não precisa
concordar, mas, nunca discorde. Apenas ouça e ofereça seu carinho e
compreensão.

6 – Estar presente por inteiro na relação .
(??)

7 – Identificar e elogiar todos os esforços para permanecer bonita
(regime, corte de cabelo, etc, etc).
Auto explicativo.

8 – Nunca trocar uma transa (mesmo que levemente insinuada) por
assistir TV.
Se você fez isso alguma vez, 100 chibatadas pra você.

9 - Não olhar (de um jeito diferente(?)) pra nenhuma outra pessoa (sexo
feminino, claro).
Vai requerer uma certa prática no início, mas depois você acostuma,
da mesma forma que, antes, era só um costume inofensivo. Mas não
tente explicar.

10 - Identificar a formação de um “Tsunami’ com antecedência e
segurar todas as ondas (possíveis e imagináveis).
Fique atento a todos os sinais, que podem ser os mais diversos
possíveis. Se vire para decifra-los, caso contrário, todos os seus
esforços até aqui, podem ir por água abaixo. Talvez esse deva ser o
primeiro item da lista.

11 - E, last but not least, nunca esquecer de baixar a tampa da privada e
desligar a luz do banheiro.
Não sei onde coloco este item, já que era pra ser um decálogo, mas
ele é importantíssimo, não pode ficar de fora.

Boa sorte!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Em busca do tempo perdido

Hoje li essa pérola do Fabrício Carpinejar, via blog do Kbção:

"Passamos a vida procurando a sinceridade e a confundimos com agressão. Há coisas que eu penso que não podem ser ditas, senão vou atacar quem eu amo. Amor é educação, trato, respeito, cuidado, não é falar de qualquer jeito e a toda hora o que sobe à cabeça. Uma relação aberta fecha o futuro - há mais passado do que presente. Segredos são sadios e não deve contar os mínimos pensamentos para provar a franqueza. Qual é a graça da nudez se ela é totalmente exposta logo no início? Velar e desvelar são regras da pintura e da sensualidade. Pornografia é não permitir espaço para sugestão. Não permitir brechas. Não vale a pena contar tudo, vale a pena ser tudo, inclusive a imaginação."

Me lembrei, então, de uma simples frase lida deste libertino radical, e que cito de memória:

"Se eu não puder pensar em voz alta ao teu lado, não poderei te amar."

Identifico duas posturas antagônicas mas que devemos procurar harmonizar. O ideal seria que conseguissemos aplicar a segunda a maior parte do tempo, mas sabendo que não será possivel o tempo todo. Precisamos estar atento aos seus efeitos no relacionamento, e saber a hora em que o silencio, a aceitação, até mesmo a boa e recíproca submissão é a melhor saída. Me sinto cada vez mais de mudança para a primeira postura.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Momento Deprê

Receita para superar um momento deprê (dentre outros motivos por saber que a Mel, my dog, está com um tumor, provavelmente em função do parto de risco que ela teve):

- 2 doses de conhaque
- 2 ou 3 Carlton's
- Noite estrelada e de lua cheia em Jarinú
- Marisa Monte cantando:

Preciso Me Encontrar
(Candeia)

Deixe-me ir, preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar

Quero assistir ao sol nascer
ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer quero viver

Deixe-me ir preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar
diga que eu só vou voltar
quando eu me encontrar

Quero assitir ao sol nascer
ver as águas dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer quero viver

Deixe-me ir, preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Mundo Pequeno


Pesquisar a árvore genealógica da famiglia é uma atividade árdua e desgastante. Mas pode reservar agradáveis surpresas.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Falem mal mas falem de mim

Estava vindo hoje pro trabalho, após uma noite mal dormida, segundona braba, em resumo: de saco cheio. Chegando no serviço, ainda cedo, resolvo entrar no blog, depois de dois dias ausente, já pensando em deletar tudo e esquecer esse assunto, mas, eis que aparece meu primeiro comentário ANÔNIMO, no último post. Vamos traze-lo para o “stage” para apreciação:

"Concordo. Também concordo que é impossível andar sem um bom vocabulário ou correção ortográfica. Já que você defendeu tão ferronhamente a educação em seu post anterior, o mínimo que se espera é um texto coeso gramaticalmente, sem erros.Espero que não tenha queimado o pastel, ao pensar tanto assim".

Como todo ANÔNIMO que se preza, nunca é pra elogiar. E, assim, antes de completar um mês de vida, um dezena de posts, recebo meu primeiro “passa-moleque” internético.
Aí meu dia se animou. Fiquei a pensar: estou cá em meu canto, tentando botar as idéias no lugar, sem alarde. Só comuniquei a duas pessoas, fiz um comentário com link no blog do LLL e enviei um e-mail de ajuda pro Roger, que nem conheço, mas acho que deve ser um cara legal, ou seja, apenas um total de quatro pessoas deveriam saber da existência deste sítio, e meu prezado e solitário ANÔNIMO, resolveu pegar no pé da minha gramática e ortografia. Fiquei preocupado e dei uma rápida revisão nos textos procurando alguma falha gritante que causasse tamanha indignação a tão cândida figura. Localizei apenas alguns erros de digitação, algumas acentuações faltantes ou “sobrantes” (por favor, permita-me a figura de linguagem, a bem do estilo), pronomes que poderiam ser melhor colocados, e construções sintáticas comuns, sem nenhuma pretensão maior. Então, como todo ANÔNIMO que se preza, não entrando em maiores detalhes, me deixou, assim, com a sensação que era pura provocação.
Confabulei com meus botões, que não poderia ser um desocupado desconhecido, que estivesse caindo de para-quedas e se desse a trabalho de tal monta. Das pessoas conhecidas, e não comunicadas da minha existência virtual, quem poderia se ocupar de tamanho revisionismo? Lembrei que, alguém que conhecesse o mundo da blogosfera, poderia me achar na pesquisa do Blogger, a partir do meu nome . Bem cheguei a um perfil: é mulher, rancoroza, poçeçiva e silmenta. Mas também tem qualidades, claro.
Será que acertei? Diga-me, por favor, querida ANÔNIMA, se estou frio, morno ou quente.

P.S.: 1 - espero ter escrito tudo certinho hoje...e não ter pego pesado. Volte
sempre.
2 - Quanto ao pastel, gratos pela preocupação, mas estava bom, não
queimou.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Melô da Padoca (ou pequena digressão poética dobre a dicotomía sonho/realidade

"Sinto desejo de saciar a fome
Me vejo diante de um pão quebradiço e disforme"

BONUS TRACK (captada do programa "Recorte Cultural" da TVE Rio, enquanto fritava um pastelzinho de palmito, não deu pra saber o autor)

"A poesia não compra sapato
No entanto é impossivel andar sem poesia"

"A poesia não resolve, mas revolve"

quarta-feira, dezembro 07, 2005

pedido de ajuda

Hoje aprendi a colocar figuras no post, vide lá embaixo um lindo cão husky, parecido com um que eu tinha e sumiu.
Agora estou apanhando para editar minha lista de links e descobrir se existe algum account das visitas neste sítio. Pra lista de link tem um help, estou seguindo as instruções, mas não está funcionando. Mudei até o template mas não adiantou.
Alguém se habilita? HELP, PLEASE!

P.S. pior de tudo, as mudanças de template fizeram perder os parcos comentários que tinha. Agora ninguém vai acreditar que o Alex Castro me visitou. Teve apenas aviso que as configurações particulares seriam perdidas e não os comentários. MERDA!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Pondo a boca no trombone

Inspirado num post dela, resolvi falar sobre uma tese que tenho sobre a recuperação da escola pública.
Acredito que ela só se dará quando as pessoas que de lá fugiram, perceberem que está na hora de voltar e dar uma força. Falo da sofrida classe média-média.
Acho que sou um caso típico. Fiz todo minha vida acadêmica em escolas públicas. Quando chegou a vez dos meus filhos, encontrei uma situação de total desolação. Penumbra financeira, de material, professores altamente desvalorizados, em constante estado de greve, enfim, não dava pra encarar colocar seus filhos num ambiente conturbado como esse.
Então lá fomos nós, classe média, contornar o problema, procurando uma escola particular que coubesse no nossos parcos orçamentos. Sim porque não dava pra pensar numa escola particular de primeira linha. E da-lhe uma avalanche de escolas qualidade de fachada, literalmente, ou seja um prédio e instalações bonitas com professores sorridentes ganhando um pouco mais que na rede pública.
Mas pelo menos nossos filhos estariam a salvo dos vandalos que sobraram na rede pública, com seus traficantes rondando cada portão de saída.
Hoje penso de forma diferente. Minha experiência com escolas particulares mostrou que, no fundo, não existem grandes diferenças pedagógicas. Em compensação não existe interesse de muitas dessas escolas em estimular os pais em participar do processo educacional, e mesmo os pais preferem não ser chamados a dar uma colaboração.
Ao passo que em muitas escolas públicas se nota um esforço em melhorar, esforço que depende mais da sua direção, corpo docente e discente do que de uma efetiva política de governo.
Então tomamos uma decisão: minha filha irá estudar o nível médio na mesma escola que nós estudamos, e esperamos poder participar desse processo de recuperação da dignidade da escola pública.
Para isso precisamos estar atentos para todos o assuntos que envolvem a escola, fazer com que os sindicatos de professores, que sempre teve uma atuação política, coloque em primeiro lugar o interesse dos alunos e não utilizem as greves pra desestabilizar o governo de plantão; fazer com que as verbas destinadas cheguem efetivamente aos seus destinatários; cobrar a valorização e reciclagem dos professores, etc.
Mas se todos parecem concordar que o principal problema do país é a educação, está na hora de começarmos a fazer algo para mudar isso.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Falando pela boca dos outros

"Angústia é o resultado da perda de intimidade de um homem consigo mesmo."
Antônio Maria

E como atras (ou melhor, pra ser politicamente correto e não criar atritos nesse ínicio de blog, ao lado) de um grande homem tem sempre uma grande mulher, seguem duas da Danuza Leão:

"Se na próxima encarnação vier homem, vou virar gay, porque mulher é um ser muito complicado."

"Não existe amor, existe amor e suas circunstâncias."

domingo, dezembro 04, 2005

breakdown

Apesar do cachorro de banho tomado, da grama cortada, da piscina nas perfeitas condições de cloro e ph, da cerveja gelada, do dia de calor, das aulas de dança... sempre tem alguma coisa lá dentro, quebrada, parecendo que não vai cicatrizar, sempre um medo, uma insegurança, a sensação de algo que não volta mais, um tempo que se perdeu, um gesto que não foi feito, uma frase que não devia ser dita, das coisas sem sentido, da insensatez.
Mas depois passa... mas depois volta.

Seguimos com nossa programação normal, e o melhor do carnaval.

sábado, dezembro 03, 2005

Motivos para criar um Blog

10 motivos pra criar um blog:

1 – Pra me divertir (Roger)
2 – Pra atrair meus iguais (Alex Castro)
3 – Pra cumemulé (Rafael Galvão)
4 – Pra economizar com psicólogo (Sandra)
5 – Pra zoar com servidor público (Alfred)
6 – Pra arejar o ambiente acadêmico com as novas tecnologias (Idelber)
7 – Pra mandar notícias (Allan e Flavio )
8 – Pra desopilar o fígado (Nelson)
9 – Pra destilar minha revolta (The Gun)
10 – Tudo ao mesmo tempo agora (Biajoni)


1 motivo para não criar um blog

– inveja de qualquer um dos acima

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